Vinícola Refugio
LÉGUAS Chardonnay 2023
<p>Quando ingressei no mundo do vinho, em 2004 — numa época em que eu ainda nem carteira de motorista tinha — falava-se em apenas três grandes regiões vitivinícolas brasileiras. Duas décadas depois, esse cenário mudou completamente. Hoje, o Brasil se aproxima de 20 regiões produtoras, cada uma revelando novas identidades, terroirs e estilos de vinho.</p><p>Com cultivo de uvas que se estende aproximadamente dos 5° aos 30° de latitude sul, o país abriga três grandes modelos de viticultura: a tradicional, a tropical e a viticultura de inverno. Esta última, desenvolvida principalmente nas regiões de altitude de Minas Gerais, São Paulo e do Cerrado, vem conquistando reconhecimento pela extraordinária qualidade dos vinhos que produz.</p><p>O Léguas Chardonnay evidencia o potencial da <strong>Cuesta de Botucatu</strong>, no <strong>interior de São Paulo</strong>, para a produção de grandes brancos. Criado pela <strong>Vinícola Refúgio, em Bofete, a quase 1.000 metros de altitude,</strong> este rótulo nasce do sonho de uma família dedicada a explorar a identidade desse terroir.</p><p>O grande diferencial deste vinho está na técnica da dupla poda. Esse manejo separa os ciclos vegetativo e produtivo da videira por meio de uma poda de formação (agosto/setembro) e outra de produção (fevereiro/março), transferindo a colheita para o inverno (julho/agosto). Nessa época, o clima mais seco, as noites frias, os dias ensolarados e a elevada amplitude térmica proporcionam uma maturação mais lenta e completa das uvas, especialmente dos compostos fenólicos, originando os chamados vinhos de inverno, reconhecidos por sua elevada qualidade e pela fiel expressão do terroir.</p><p>O nome do vinho homenageia o clássico Vinte Mil Léguas Submarinas, de Jules Verne. Publicado em 1870, o romance acompanha a extraordinária viagem do Capitão Nemo a bordo do Nautilus por oceanos até então desconhecidos. É esse mesmo espírito de exploração que guia a Vinícola Refúgio ao desbravar a Cuesta de Botucatu, apostando em um caminho inovador para a vitivinicultura brasileira.</p><p>Assim como a obra literária convida a explorar um universo novo, este branco apresenta uma perspectiva inédita sobre a casta no país.<br><br>A vinificação começa com a colheita manual e a criteriosa seleção dos cachos, seguida de uma delicada prensagem das uvas. O mosto é então resfriado a 7 °C para decantação e fermenta lentamente a 15 °C com leveduras selecionadas. Todo o processo é conduzido com o rigor que caracteriza a vinícola, do vinhedo à garrafa.<br><br>Na taça mostra excelente intensidade aromática, com um perfil exuberante e franco, marcado por frutas tropicais maduras, que remetem a abacaxi, banana e carambola, além de notas de pera e delicadas nuances cítricas que trazem frescor ao conjunto.<br><br>No paladar, revela excelente frescor e equilíbrio. A acidez vibrante sustenta um corpo médio e imprime uma gostosa tensão, enquanto os sabores confirmam as notas de frutas tropicais percebidas no nariz. O final é seco, limpo e de longa persistência. Um deleite!</p><p>Grandes vinhos nascem de grandes escolhas. Neste caso, da coragem de produzir menos para entregar mais qualidade. E é exatamente isso que torna esta oferta tão especial: um <strong>autêntico vinho de inverno brasileiro, elaborado com uma das técnicas mais exigentes da viticultura mundial</strong>, por um preço que convida a brindar. Não deixe essa oportunidade passar!</p><p><i><strong>Fernanda Spinelli</strong></i><br><i><strong>Sommelier Internacional </strong></i><br><i><strong>WSET 3 em Vinhos / Dip. WSET student</strong></i><br><i><strong>Delegada brasileira na OIV</strong></i></p>
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