Degustação Vertical?

14 de junho - 2022

Degustação Vertical?

Você já parou para pensar em tudo que envolve organizar uma degustação? Ou mesmo, o quanto cada detalhe pode interferir drasticamente na avaliação sensorial de um vinho?

Nós, sommeliers e curadores de vinhos, temos que estar atentos aos mínimos detalhes.

Eis que nos deparamos com técnicas distintas, que podem expressar de forma mais evidente as particularidades de cada rótulo.  O nosso tema de hoje é a famosa - Degustação Vertical! =)

Nessa técnica trabalhamos com o mesmo vinho (mesma uva, produtor, … ), porém de diferentes safras, afinal as condições climáticas por si só são suficientes para influenciar nas características dos vinhos, seguidas pela idade e fatores que envolvem o próprio terroir.

Alguns vinhos quando jovens, como um Barolo, não estarão prontos para ser consumidos. Porém, degustando safras mais antigas, nota-se a sua ótima evolução. É nesse sentido que a Degustação Vertical atua -  avaliar um mesmo vinho em diferentes safras, para acompanharmos (e nos beneficiarmos) de sua evolução. Não para por aí, é também um momento para avaliar a evolução de qualidade do produtor.

A cada garrafa aberta, temos uma nova surpresa! Aos que nunca tiveram essa experiência incrível, recomendamos fortemente! Nós continuaremos com as nossas! =)

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Chablis - onde a Chardonnay reina!

Chablis - onde a Chardonnay reina!

A região vitivinícola de Chablis é o verdadeiro paraíso da casta Chardonnay. Localizada no caminho entre Paris e Beaune, contempla cerca de 5000 hectares, no vale do rio Serein, ao Norte da Borgonha. Região desafiadora, que enfrenta geadas e utiliza aspersores e aquecedores para proteção dos vinhedos.O clima continental proporciona temperaturas muito baixas no inverno, seguidas de geadas de primavera e verões quentes. Essas condições moldam o caráter único dos vinhos Chablis, aliadas a um solo incomum, Kimmeridgiano, que não é encontrado em nenhum lugar do mundo, exceto no sul da Inglaterra.  Seus vinhos são conhecidos por um caráter austero, acidez alta, em pleno equilíbrio e incontestável elegância. O destaque é para as deliciosas notas de maçã verde, frutas cítricas, pedra molhada e até nuances metálicas, dependendo da localização dos vinhedos, entre outros fatores. Chablis possui 4 apelações de origem controladas, classificação estabelecida em 1938:Petit Chablis: categoria mais simples, geralmente elaborados com uvas de menor maturação, provenientes  do sopé das colinas. Consequentemente, são os vinhos mais baratos da classificação, mas que carregam indiscutível qualidade;Chablis: segunda categoria, os mais conhecidos, originários de vinhedos normalmente da base das colinas, ou seja, com uvas com maior maturação e qualidade;Premier Cru: vinhos de valor agregado maior, elaborados com uvas provenientes do centro das colinas, com alta concentração mineral;Grand Cru: os mais caros e difíceis de encontrar, elaborados com as melhores bagas. São  sete sub-regiões permitidas para a sua elaboração, que deve ser feita com as melhores bagas, que passam por uma seleção extremamente minuciosa. São vinhos de longa guarda, que se revelam expoentes ao passar dos anos, ultrapassando uma década. Os Petit Chablis e os Chablis normalmente apresentam alta intensidade de fruta verde e acidez, enquanto os Premier Cru e Grand Cru apresentam maior concentração, corpo e maturação. Todos são brancos secos.Harmonizar estes vinhos não é tarefa árdua, bem ao contrário, é um verdadeiro deleite. Mas claro, vale a atenção aos detalhes. É evidente que frutos-do-mar (como ostras) são escolhas certeiras. Para entradas ou pratos menos requintados, o Petit Chablis é uma ótima compania. Já, um Chablis, pede um prato mais elaborado, e as demais classificações assim continuam. Sugestões são: mariscos ao bafo com ervas frescas, camarão no tucupi, escargots à la bourguignone, entre outras.
Degustação Vertical?

Degustação Vertical?

Você já parou para pensar em tudo que envolve organizar uma degustação? Ou mesmo, o quanto cada detalhe pode interferir drasticamente na avaliação sensorial de um vinho?Nós, sommeliers e curadores de vinhos, temos que estar atentos aos mínimos detalhes.Eis que nos deparamos com técnicas distintas, que podem expressar de forma mais evidente as particularidades de cada rótulo.  O nosso tema de hoje é a famosa - Degustação Vertical! =)Nessa técnica trabalhamos com o mesmo vinho (mesma uva, produtor, … ), porém de diferentes safras, afinal as condições climáticas por si só são suficientes para influenciar nas características dos vinhos, seguidas pela idade e fatores que envolvem o próprio terroir.Alguns vinhos quando jovens, como um Barolo, não estarão prontos para ser consumidos. Porém, degustando safras mais antigas, nota-se a sua ótima evolução. É nesse sentido que a Degustação Vertical atua -  avaliar um mesmo vinho em diferentes safras, para acompanharmos (e nos beneficiarmos) de sua evolução. Não para por aí, é também um momento para avaliar a evolução de qualidade do produtor.A cada garrafa aberta, temos uma nova surpresa! Aos que nunca tiveram essa experiência incrível, recomendamos fortemente! Nós continuaremos com as nossas! =)
Panorama da vitivinicultura mundial de 2021!

Panorama da vitivinicultura mundial de 2021!

Recentemente, o Diretor Geral da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), Pau Rocca, anunciou um panorama da vitivinicultura mundial da safra 2021.Além de sermos apreciadores natos de vinhos, é importante acompanharmos as atualidades e o movimento do setor, por isso resolvemos compartilhar um breve resumo com vocês. Apesar de no Brasil o comércio e consumo de vinhos ter apresentado um efeito boom em 2020, muito impulsionado pela pandemia, nos demais países vitivinícolas este comportamento diferiu, com registros de menor consumo, produção e comercialização de vinhos e derivados. Entretanto, conforme os dados apresentados recentemente, o ano de 2021 marcou uma recuperação parcial do consumo global após a crise sanitária de 2020 e um impulso do comércio internacional, que teve um recorde acima do esperado em volume e valor. De qualquer forma, o cenário de 2022 ainda é incerto por diversos motivos, como a crise da cadeia de suprimentos, a guerra na Ucrânia, variantes de COVID-19 e o aumento dos preços da energia, entre outros.A produção mundial de vinhos em 2021 foi estimada em 260 milhões de hectolitros, com um decréscimo em torno de 1% em relação à 2020. As exportações globais de vinhos apresentaram um aumento de 4% em relação a 2020. A Espanha foi o país que mais exportou em volume, representando 21% do mercado global. Os maiores contribuintes para este crescimento do comércio mundial foram a Espanha, a Itália, a África do Sul e a França. Entre os principais países exportadores, apenas a Austrália, a Argentina e os Estados Unidos registraram reduções em relação aos volumes de exportação comparados ao ano de 2020.O vinho engarrafado (em embalagens menores que 2 litros) representou cerca de 53% do volume de comércio global, comportamento similar ao observado nos últimos 10 anos. Essa categoria aumentou 6% em volume e 13% em valor face a 2020. Entre os principais países exportadores, a quota das exportações de vinho engarrafado foi superior em volume, em Portugal (80%), Alemanha (73%) e França (70%). Os vinhos engarrafados constituíram 69% do valor total dos vinhos exportados em 2021 em todo o mundo.  O vinho espumante foi a segunda maior categoria mais expressiva em valor (+35%), depois do vinho tranquilo. As motivações para tal comportamento são justificadas pela reabertura dos canais HoReCa (hotéis, restaurantes, cafés) e a volta dos convívios sociais e eventos comemorativos. Já, em relação às exportações de vinho a granel (em recipiente maiores que 10 litros), em 2021 aumentaram 5% em volume face a 2020, mas registaram uma diminuição no valor das exportações. Entre os principais exportadores, encontra-se o Canadá (99%), a Espanha (56%) e a Austrália (55%). Embora o vinho a granel represente 33% do volume total das exportações mundiais de vinho, ele compreende apenas 7% do valor total das exportações de vinho. Em 2021, novamente, o comércio internacional de vinhos foi dominado por três países da União Europeia, a Espanha, a Itália e a França, que juntos exportaram 54% do volume total mundial de exportação de vinho.Já, em relação às importações, a Alemanha, os Estados Unidos e o Reino Unido conquistaram as três primeiras posições em termos de volumes de vinho importado. Juntos correspondendo a 38% do total mundial, equivalendo a 13,1 bilhões de euros.Para mais informações, acessem o link a seguir: https://www.oiv.int/js/lib/pdfjs/web/viewer.html?file=/public/medias/8778/eng-state-of-the-world-vine-and-wine-sector-april-2022-v6.pdfSaúde! 

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Maison 1982

Atlantique Rouge

Você que nos acompanha deve saber, semanalmente ofertamos um novo vinho para subir neste palco. De edição limitada, quem reina nos próximos 7 dias é o Maison 1982 Atlantique Rouge - tinto francês que surpreendeu demais o nosso time de sommeliers!

Criada em 2006, a IGP Atlantique é uma alternativa aos produtores da costa oeste francesa que desejam exercitar sua criatividade e proporcionar vinhos diferenciados aos consumidores, utilizando um terroir respeitado a séculos pela sua superioridade. 

terroir em questão é aquele compreendido entre o Maciço Central e o Oceano Atlântico, cortado por diversos rios que neste último deságuam e que também garantiram os depósitos aluvias característicos deste solo. Atlantique é um título IGP que encobre renomadas áreas, em especial Bordeaux e Cognac. Assim como seu nome sugere, o oceano é o recurso regulador do clima local, com verões quentes e secos, mas arrefecidos pela Corrente do Golfo, e invernos moderados e úmidos.

O leque de castas permitidas é amplo, mas as típicas do sudoeste francês são as mais tradicionais. Neste corte, onde predomina a exuberância das frutas, encontra-se majoritariamente Merlot (80%), com uma singela contribuição de Cabernet Sauvignon (20%), ambas uvas que fornecem sua plena expressão em solo argiloso-calcário. 

Maison 1982 é o resultado deslumbrante obtido através de um blend não safrado, com uma das melhores relações preço vs qualidade do mercado.

O bouquet aromático é fino, entregando frutas vermelhas e negras, frescas e maduras, especiarias picantes (pimenta-do-reino), rosas-vermelhas e nuances de cascalho. Mas o diferencial é na boca. Todo elegante e intenso, revela um sabor de cereja intenso e muito gostoso. Tem bom corpo, taninos polidos e acidez suculenta - um excelente vinho!

Por menos de R$75 você arremata este rouge francês, cheio de qualidade, atestado e admirado pela nossa curadoria. 

Aproveite!

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Busy Bee Pinotage 2020

A Pinotage ainda é desconhecida por muitos enófilos!

Apesar de já ser cultivada aqui mesmo no Brasil, a oferta de rótulos em nosso mercado ainda é escassa. Para você aprimorar seus conhecimentos, nossa curadoria preparou um texto bem bacana sobre a casta e, claro, selecionou um exemplar de ótima qualidade e preço justíssimo!

Foi há quase um século, no ano de 1925 que Abraham Izak Perold, um sul-africano descendente de franceses, cientista, professor (foi o primeiro professor e o fundador do Departamento de Viticultura e Enologia da Universidade de Stellenbosch), escritor, PhD em Química, poliglota (especula-se que Perold era fluente em 8 idiomas, dentre eles o português) e viticultor, criou a Pinotage!

Ele plantou as quatro sementes resultantes da sua experiência (a polinização de uma vinha de Pinot Noir com Cinsault, localmente conhecida como Hermitage) em sua residência oficial, na Fazenda Experimental da Universidade de Stellenbosch. Logo em 1927 ele deixou a Universidade e foi trabalhar em uma vinícola em Paarl. Felizmente, outro professor, o Dr. Charlie Niehaus, sabia do experimento, resgatou as mudas e as replantou (posteriormente enxertadas) no viveiro do professor CJ Theron no Elsenburg Agricultural College.

Em uma visita ao viveiro de Theron, Perold se entusiasmou com uma das quatro plantas – que acabou se tornando toda a base clonal da variedade, e consolidou seu nome: de Perold’s Hermitage x Pinot para Pinotage.

Foi em 1959 que a Pinotage ganhou popularidade, após sair vitoriosa na competição Cape Young Wine Show na Cidade do Cabo. Seu ingresso definitivo no mundo do vinho se deu somente em 1991, quando o Kanonkop Pinotage 1989 levou o Robert Mondavi Award ao ser considerado o melhor vinho tinto no International Wine & Spirits Competition, realizado em Londres.

Atualmente, apesar de não ser a casta mais cultivada, com pouco menos de 10% do total plantado no país, a Pinotage é considerada a uva mais importante da África do Sul.

A Babylon’s Peak é uma vinícola familiar fundada em 1919 e atualmente dirigida por Stephan Basson, da quarta geração. Está localizada nas encostas das Montanhas Paardeberg, entre Malmesbury e Paarl, cujos solos são ricos em granito em decomposição.

O Busy Bee é um varietal de Pinotage vinificado tradicionalmente e amadurecido entre 8 e 12 meses em barricas de carvalho francês. Nossa curadoria o considerou um vinho cativante, alegre e de uma qualidade muito superior ao que seu preço sugere!

Em sua degustação, apresentou no olfato aromas de frutas maduras, sobretudo vermelhas, como o morango e a framboesa, escoltadas por notas de tabaco, couro e especiarias doces, como a baunilha e a canela, nuances florais e defumadas, e intensos toques picantes, principalmente pimenta-do-reino. Em boca é seco e com bom corpo, mostrando equilíbrio entre taninos finos, presentes e polimerizados e uma acidez gostosa, salivante e bastante gastronômica. O sabor acompanha os descritores aromáticos, com boa intensidade e persistência.

Infelizmente são apenas 180 garrafas disponíveis – esperamos que consiga garantir a sua!

Quando estamos sonhando sozinhos, é apenas um sonho. Quando estamos sonhando com outros, é o começo da realidade. – Babylon’s Peak

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