Franz Haas
Pinot Nero 2023
<p>Na <strong>família Haas</strong> existe uma tradição que atravessa quase um século e meio: o primogênito sempre se chama Franz. Desde 1880, a vinícola de Montagna, no<strong> Alto Adige</strong>, passou por oito gerações, todas com o mesmo nome no rótulo.<br><br>Mas foi o Franz da sétima geração quem mudou a história.<br><br>Formado em Geisenheim, na Alemanha, ele trabalhou como corretor de vinhos italianos no mercado alemão antes de assumir o negócio da família. Até então os Haas cultivavam uvas, mas não engarrafavam vinhos de qualidade.<br><br><strong>Sua obsessão tinha nome: Pinot Nero</strong>. A casta mais difícil e mais caprichosa, e também a mais recompensadora quando dá certo. Franz se definia como meticuloso, exigente, o crítico mais severo do próprio trabalho.<strong> A prova está na adega: o Schweizer, sua seleção de topo, só vai ao mercado nas safras que estão à altura.</strong><br><br>Franz nos deixou em 2022. A Pinot Nero que ele lapidou por décadas segue de pé.<br><br>E aqui está um detalhe que pouca gente conhece. Os rótulos coloridos da casa são<strong> obras de</strong> <strong>Riccardo Schweizer</strong>, pintor e arquiteto que trabalhou ao lado de Picasso e Chagall. Não por acaso, o Pinot Nero de topo leva o nome dele.<br><br>O rótulo de hoje nasce em vinhedos entre 350 e 900 metros de altitude, nas encostas de Pinzano e Gleno, em Montagna, e de Mazzon, em Egna. <strong>Clones de baixo rendimento</strong> são plantados em terreno extremamente heterogêneo. A fermentação acontece em tanques de inox abertos, seguida de cerca de <strong>um ano em barricas francesas </strong>e alguns meses de repouso em garrafa.<br><br><strong>E a tampa de rosca? </strong>Não é economia, é convicção. Desde a safra 2018, Franz fechou toda a produção com screwcap para preservar a pureza aromática dos vinhos. Uma decisão corajosa num país que ainda venera a rolha.<br><br>Ele chamava seu Pinot Nero de <strong>“o branco entre os tintos”</strong>, pela cor translúcida e pela finesse extrema. Difícil definir melhor.<br><br>Na taça, o 2023 confirma a <strong>fama de safra elegante para o Pinot Nero no Alto Adige</strong>. No nariz, morango macerado e violetas se misturam a um toque defumado de ervas na brasa. A boca é suculenta e cheia de energia, com frutas silvestres crocantes e uma pitada cítrica, até um final de pétala de rosa e pimenta que se estende em puro frescor. <br><br>É um vinho generoso nos aromas e sabores, repleto de vitalidade. Quem procura tipicidade, tensão e prazer à mesa, vai encontrar com sobra neste rótulo.<br><br><strong>Recomendamos com afinco!</strong></p>
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