Cal Batllet
Llum D'Alena 2019
<p>Em Gratallops, coração histórico do <strong>Priorat</strong>, a família Ripoll Sans passou décadas fazendo o que quase todo mundo por ali fazia: vendendo a uva para a cooperativa local. As vinhas eram um tesouro — plantadas pelos bisavós, em <i>costers</i> de llicorella, algumas centenárias. A adega herdada, essa, estava em ruínas.<br><br>Foi Marc Ripoll quem decidiu mudar essa história. Em 2000 restaurou o antigo <i>celler</i> da família — um espaço pequeno e multifuncional — e passou a vinificar a própria colheita. Assim nasceu a <strong>Cal Batllet</strong>.<br><br>São dez hectares divididos em dez parcelas dispersas por Gratallops e Torroja del Priorat. Agricultura ecológica, trabalho manual, leveduras indígenas. E um detalhe que diz muito sobre o caráter do produtor: foi a Cal Batllet a principal responsável por resgatar a <i>Escanyavella</i>, casta branca quase extinta que só existe no Priorat, e cujo nome catalão significa, literalmente, "estrangula-velha".<br><br>Mas o rótulo de hoje carrega a história mais bonita da casa.<br><br><strong>Llum d'Alena</strong> quer dizer "a luz de Alena". Alena é a filha caçula da família, e o vinho é uma homenagem feita à ela — nas palavras da própria vinícola, a chegada de Alena iluminou a casa e os frutos das vinhas de Gratallops.<br><br>Faz todo sentido que seja justamente este o vinho mais luminoso do portfólio.<br><br>E aqui vem a parte que costuma surpreender quem conhece a região. O Priorat construiu sua fama com tintos densos, potentes, generosamente amadeirados. <strong>O Llum d'Alena não vê uma lasca sequer de carvalho.</strong><br><br>Garnatxa colhida à mão nos terraços de Gratallops, passa por uma fermentação em tina aberta com leveduras indígenas. A maceração é longa — 30 dias — mas conduzida com delicadeza. Depois, amadurece por 12 meses em ovos de Flextank.<br><br>O resultado é um Priorat que fala de <i>llicorella</i>, e não de barrica.<br><br>Na taça, o nariz é perfumado e floral, com ameixa, amora e cereja madura em primeiro plano, escoltadas por ervas mediterrâneas e um toque balsâmico. A boca tem aquela entrada doce e cálida típica da garnatxa em solo quente, mas sustentada por uma mineralidade que é assinatura da região. Taninos macios, bom volume, final redondo e equilibrado.<br><br>Está ótimo agora, e a própria vinícola projeta uma janela confortável de seis a oito anos de evolução. Peça-o ao lado de um arroz de coelho, cordeiro assado, legumes na brasa ou carnes na grelha.<br><br>Se você nunca provou um Priorat, este é o convite mais gentil que existe. Se já provou muitos, vai achar curioso reencontrar a região sem a moldura da madeira.<br><br>Nos dois casos, <strong>recomendamos fortemente.</strong></p>
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